Percebo que o futebol brasileiro atravessa uma crise de identidade. O nosso diferencial sempre foi a criatividade e a inventividade dos jogadores, com o objetivo de desequilibrar defensivamente as equipes adversárias. O grande desafio era que a criatividade pudesse ser exibida com competitividade física e tática.
Evoluímos nas questões físicas e táticas, porém involuímos nos conceitos técnicos. O jogador brasileiro além de determinações táticas, possui rigidez técnica. Não inventa mais.
Quando se joga no cenário nacional, contra equipes com treinadores conservadores que mantém a marcação individual por setor, os jogadores de maior recurso técnico se sobressaem, pois ao driblar o marcador individual, encontram espaços inimagináveis de que quando enfrentamos equipes mais evoluídas nas questões táticas, como foi a equipe do México, na final Olímpica, marcando por zona, sempre com dobra na marcação. Quando enfrentamos equipes mais desenvolvidas a dificuldade é latente, há meses.
A solução é o trabalho com os conceitos do Barcelona, que também já foi o nosso conceito, trabalho rápido em dois toques com velocidade, onde os jogadores estariam em constante deslocamento para inibir a marcação adversária.
A instituição da marcação por zona em diversos setores do campo, não somente no campo defensivo, facilitaria a adaptação do jogador brasileiro ao sistema de jogo utilizado pelas grandes equipes européias. Temos que aprender a marcar no campo de ataque!
A melhor equipe da atualidade (Corinthians) jogou a Libertadores no sistema 1 4 6 0, outras equipes brasileiras que se destacam jogam excessivamente preocupadas em defender e impedir contra-ataques, utilizando um padrão inaceitável para a seleção brasileira e para o futebol genuinamente brasileiro.
Além disso, deveríamos investir urgentemente na formação de uma Escola Brasileira de Futebol, onde o regaste aos métodos originais de trenamento do futebol brasileiro fosse questão emergencial.
Visando a Copa do Mundo, não vejo alternativa, os jogadores de maior destaque nacional têm que jogar em grandes equipes européias para desenvolverem as questões mencionadas acima, pois lá a exigência nesses aspectos é maior do que aqui.
Abraços
Prof. Daniel Gonçalves